Crítica – Thor Ragnarok

O fim dos deuses (ou quase isso)

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Analisando os filmes da Marvel, não é dificil concluir que o MCU (Marvel Cinematic Universe) tem se saído bem nas bilheterias e na crítica. O primeiro Vingadores foi um dos melhores filmes de heróis dos últimos tempos, o primeiro Capitão América foi uma baita aventura estilo anos 80, e o segundo, um excelente thriller político (e na minha opinião o melhor filme da Marvel). O segundo Vingadores deu uma escorregada, tanto pela superexposição causada pelos trailers quanto pela megalomania do filme (que foi bem, mas falhou em superar o primeiro). Guerra Civil foi, apesar das críticas, um bom filme, e cumpriu bem seu papel no MCU; Dr. Estranho repetiu a façanha do primeiro Homem de Ferro ao entregar mais um ótimo filme de origem, e Homem-aranha: de volta ao lar consolidou o cabeça-de-teia no universo cinematográfico da Marvel.  Não é dificil perceber, então, que os filmes do deus do trovão sempre foram, de longe, os menos badalados entre todos os blockbusters e sucessos de bilheteria. O primeiro filme entregou bem menos do que prometeu, o segundo, apesar de melhor, ainda não alcançou as demais produções da produtora. Ficava então a dúvida se Taika Waititi conseguiria elevar o filho de Odin ao status divino que sempre mereceu.

Muitas cores, ação e Led Zeppelin

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Vamos primeiro às coisas que merecem destaque: o filme preza pela agilidade. Os eventos que acontecem se desenrolam com muita rapidez na tela, e a ação vai caminhando de uma ação à outra sem interrupção. Temos a ótima batalha entre Thor e Surtur, seguida pela procura por Odin, e em seguida a chegada de Hela e as consequências da batalha na Bifrost. Todas ass lutas e sequências de ação merecem aplausos pela excelente coreografia e timing – desde o close no mjolnir no começo do filme (sim, fizemos isso pra você ficar com vontade de assistir em 3D) até a suntuosa batalha contra o Hulk no planeta Sakaar (sim, é a mesma Sakaar de Planeta Hulk), e a excelente batalha final na ponte do arco-íris, todas estas sequencias foram muito bem planejadas e posicionadas ao longo do filme, de forma que o mesmo não começasse a parecer pedante ou cansativo. Quando a ação está ausente, quem entra em cena é o humor, marca registrada do MCU – um ótimo exemplo disso é o esperado encontro entre Thor e Stephen Strange, que rende certamente uma das melhores cenas do filme.

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As atuações também merecem destaque, com Chris Hemsworth em sua melhor performance como Thor, Tom Hiddleston sempre perfeito como Loki, e uma surpreendente Tessa Thompson com Valquíria, que rouba a cena sempre que aparece, protagonizando algumas das melhores cenas do longa. Cate Blanchet surge como uma poderosa antagonista, criando uma vilã como há muito os filmes da Marvel não mostravam (com exceção do abutre do Michael Keaton em homem-aranha), e mesmo os coadjuvantes, como Karl Urban (executor) e Idris Elba (Heindall), são bastante convincentes e cumprem bem seu papel na narrativa. Até mesmo Jeff Goldblum (o Grão-mestre de Sakaar) se destaca como alívio cômico. Mark Ruffalo, sumido desde A Era de Ultron, retorna como Bruce Banner/Hulk em uma atuação perspicaz.

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Todo o visual criado (que pegou muitas referências ao mestre Jack Kirby, aliás) também merece ser aplaudido de pé, desde as infernais paisagens de Nifflhein até o estonteante visual alienígena de Sakaar, passando pela dourada Asgard, o filme é um imenso espetaculo visual, e o design de figurinos, cenários e efeitos especiais complementam a grandiosiadade do filme. Outro destaque vai para a trilha sonora, com ênfase em Immigrant Song, música de autoria do Led Zeppelin que marcou o primeiro trailer do filme, e usado não uma, mas DUAS vezes em cenas do filme. Não há como contestar que ela consegue criar uma ótima atmosfera para as cenas de ação (além, é claro, de fazer referencia aos vikings, e à própria Asgard). Concluindo, podemos dizer com certeza que Taika conseguiu fazer o melhor filme do Thor no MCU (ainda que bem longe de ser o melhor da Marvel).

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Ok, agora vou falar do que NÃO GOSTEI :

O filme funciona, sim, porém algumas coisas não me agradaram. O humor é por vezes usado em excesso, aparecendo em momentos anticlimáticos e quebrando momentos que poderiam ter tido mais profundidade se feitos de outro modo (sabe quando você fala “putz, que cena”, mas aí alguém faz uma piadinha? Pois é, isso acontece muito aqui). Até mesmo Loki, simplesmente o melhor vilão gerado no MCU, pareceu ter sido transformado em mero elemento cômico.

A decisão de incluir a trama do Planeta Hulk também não me agradou. Ok, era necessário explicar onde o gigante esmeralda foi parar depois de Sokovia, mas a verdade é que esta saga merecia um filme SÓ para ela. Tivemos uma excelente animação contando esta história, porém fica a impressão que os executivos da Marvel acharam que o verdão NÃO merecia um filme solo e por isso o incluíram como extra/chamariz em Thor Ragnarok. Esta decisão não apenas afetou toda a narrativa, como diminuiu muitos personagens que mereciam ter mais destaque. Hela, que deveria ser a grande ameaça do filme, é quase esquecida em meio à trama em Sakaar; e personagens como Korg e Mik (que saíram da trama de Planeta Hulk) aparecem por puro e simples fan service, sem acrescentar nada à história (e de fato, não veremos Bill Raio Beta tão breve nas telonas).

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Entretanto, entre mortos e feridos, pode-se dizer que o Ragnarok teve um saldo positivo – apesar das muitas decisões que afetaram o filme, para o bem ou para o mal é inegável que seu desfecho foi excelente. Colocar Thor como uma representação da força do trovão funcionou muito bem, e a destruição final de Asgard também foi uma reviravolta muito bem pensada. O filme termina exatamente onde o futuro Vingadores: Guerra Infinita Parte Um irá começar, preparando o terreno para este que provavelmente será um dos maiores acontecimentos do mundo nerd desde o primeiro Vingadores, culminando com a aparição de Thanos e das jóias do infinito. De nossa parte, resta apenas a expectativa e as muitas teorias que surgirão enquanto o esperado filme ainda não chega.

Rafael Danesin adorou a volta de Hulk e Cate Blanchet como Hela, e acha que Chris Hemsworth daria um ótimo Raiden um um futuro remake de Mortal Kombat.

 

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