Drácula – O Homem por trás do vampiro

O Mito do Vampiro

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Por muitos anos, em muitos lugares do mundo, existe sempre uma lenda, um conto – seja para assustar as crianças ou para intimidar os visitantes, sempre houve a lenda do vampiro – na região da Transilvania, os Strigoi levantavam de seus caixões e os carregavam nas costas, no Japão, o demônio pequenino chamado Kappa alimentava-se do sangue de animais e crianças, Na antiga Grécia, haviam as Lãmias, que também atacavam crianças, e no Brasil dos anos 90, todos se lembram da figura do chupacabra, que atacava e matava animais em fazendas. E, em todas as lendas, o vampiro era descrito como uma criatura maldita e demoníaca, advinda de uma relação pecaminosa ou um morto-vivo que desafiava as leis da lógica. E na grande maioria das lendas, a melhor forma de matar um ser de tal natureza era uma estaca no peito, separar a cabeça do corpo ou mesmo queimar o cadáver. Algumas outras formas de defesa, como resmas de alho, crucifixos, ou mesmo deixar uma tigela de arroz perto da cama (segundo o folclore chinês, o vampiro será obrigado a contar todos os grãos), foram somadas à essa mitologia vampiresca, e incorporadas à figura literária do sanguessuga que foi imortalizado na cultura pop.

O Vampiro na Literatura

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Mesmo se tornando o mais famoso escritor do gênero, graças à sua famosa criação, Bram Stoker nunca chegou perto de ser o único do gênero. Ou mesmo o primeiro (!). O conto O Vampiro, de John Polidori, já mostrava todos os elementos que se tornariam famosos – um velho castelo, um anfitrião misteriosos, gentil e de pele pálida; uma donzela em perigo. A ele, seguiram-se outros contos, como Carmilla, de Sheridan Le Fanu, que trazia uma vampira que seduzia a jovem Laura, herdeira de um rico castelo (trazendo um outro lado do mito do vampiro que estava à frente de sua época). Mesmo Edgar Allan Poe trazia uma vampira em seu conto Berenice.

Eis que, em 1897, Stoker condensou todos esses contos e crendices populares no conto Dracula – o vampiro da noite, tornando-se o “pioneiro” no gênero e definindo a figura do vampiro nos anos seguintes. Mas a verdade é que tudo já estava pré-definido. Mesmo o nome Drácula veio de ultima hora, já que o nome do conde seria Wampyr – pouco antes de começar a escrever o livro que lhe daria renome pelos séculos, Bram ficou sabendo da lenda da figura histórica de Vlad Tepes, ou o Empalador, um misto de herói histórico da Valáquia e ao mesmo tempo um monstro famoso por sua crueldade e vilania. Este foi o “toque de mestre” da obra. Ainda que Stoker mal tenha arranhado a verdadeira historia do príncipe Vlad III, toda a figura dele estava lá, e de fato talvez esta tenha sido a principal razão do enorme sucesso do livro, e o que o impediu de se tornar “apenas mais outro livro sobre vampiros”.

Drácula na calçada da fama

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O sucesso do livro foi tão enorme que Stoker rapidamente teve sua obra transposta para outras mídias. No expressionismo alemão, o diretor Friedich Wilhelm Murnau queria fazer uma adaptação da obra – porém, não obteve os direitos e mudou todo o cenário e os personagens, mantendo apenas a historia – Um corretor imobiliário precisa vender o castelo do excêntrico conde Orlock, que ao fim se apaixona pela mulher do corretor. A película, que se imortalizou como Nosferatu – a Simfonia do Horror, marcou o gênero e se estabeleceu como primeira adaptação “não-oficial” do conto de Stoker.

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Falando em versões oficiais, em 1931 foi lançado Dracula, pelo diretor Todd Browning (que também era dono de um circo de horrores), que consagrou Bela Lugosi. O filme foi produzido pela Universal studios e gerou quatro sequências.

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Já em 1958 a Hammer, subdivisão da Universal, disposta a reaproveitar o personagem, lançou o ator Christopher Lee como o famoso conde, sob a direção de Terrence Fisher. Assim como Lugosi, Lee também ficou famoso no papel e participou de varias sequências.

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Em 1992, o diretor renomado Francis Ford Coppola resolveu fazer sua versão da obra de Bram Stoker, e ao mesmo tempo prestar uma homenagem aos antigos filmes da Universal Studios. O filme, considerado por muitos (inclusive por este que vos escreve kkk) como a adaptação definitiva do conto de Dracula, vai mais fundo que os outros e faz a ponte entre o Drácula histórico (que aparece no começo do filme, vestindo uma armadura belíssima desenhada pela japonesa Eiko Ishioka, que ganhou o Oscar de melhor figurino) e o vampiro da historia de Stoker, indo além do simples horror e transformando esta em uma saga de amor trágico. Gary Oldman também ficou marcado pelo papel, que é lembrado até hoje como um dos mais extraordinários em sua carreira. Winona Ryder e Anthony Hopkins também tiveram suas vidas marcadas pelos papeis que tiveram na produção.

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E nos anos 2000, seguindo a onda de remakes e filmes de terror juvenis, Dracula também teve seu representante com Dracula 2000, onde Gerard Butler retorna como o vampiro nos dias atuais. Sob direção de Patrick Lussier, o filme fez relativo sucesso, e trouxe uma descendente de Van Helsing que é caçada pelo vampiro – no filme, os roteiristas tomaram a ousada e corajosa decisão de revelar o conde como, na verdade, Judas Iscariotes, cujo sangue foi amaldiçoado no dia em que havia traído Cristo.

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Dracula em versão 8 bits

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E claro, não poderíamos falar de Drácula sem mencionar Castlevania, a longa série de jogos da Konami, que mostra a saga da família Belmont, que jurou defender a terra a cada vez que o conde retornasse em seu castelo malévolo – assim, varias gerações da família enfrentam o conde e seus monstros neste clássico de jogos plataforma que seria imortalizado como metroidvania (assim chamado graças a outro clássico no mesmo estilo, Metroid) – recentemente, a Netflix concebeu uma animação baseada no game, que foi muito aclamada – a primeira temporada, com apenas 4 episódios, terá a esperada continuação em 2018.

A verdade por trás do Príncipe Vlad

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“Esqueçam Bram, aquele é o vampiro da Disney”

C.C Humphreys

Acerca de todo o sucesso da figura do vampiro e do mito de Drácula, a verdade é que a verdadeira historia do guerreiro que inspirou o mito acabou se perdendo em meio às estacas, crucifixos e potes de água benta. Eis que o escritor C.C Humphreys tomaa corajosa missão de escrever sobre a vida do príncipe Vlad III, o guerreiro cristão que lutou contra os turcos otomanos e o islamismo. Em Dracula, a Ultima Confissão, ele esmiúça a saga real do homem que conseguiu, através do medo e da estratégia, transformar a caótica terra da Valáquia em um lugar de paz. O livro conta desde sua infância como escravo entre os turcos (onde ironicamente, aprendeu suas táticas de guerra e métodos de tortura) até tornar-se o voivoda (governante) de sua terra, usando de crueldade e execuções violentas para ganhar o respeito de seus conterrâneos e adversários. Apesar de fictícia, muitos fatos históricos da vida do guerreiro estão lá, como os cruéis empalamentos (que lhe deram seu famoso apelido), o cálice de ouro que o príncipe deixou voluntariamente na fonte da praça de Targoviste (capital da Valáquia) e ninguém se atreveu a roubar; o turco que teve a cabeça pregada por se negar a tirar o turbante diante de Vlad, entre dezenas de outros momentos marcantes que tornam a vida do Drácula histórico tão ou mais fascinante que o vampiro que nasceu de sua história.

Rafael Danesin é apreciador da cultura sobre vampiros, reunindo diversos livros, filmes e games sobre o tema há mais de 400 anos.

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